1.2 Aprender com o vídeo e a
câmera. Para além das câmeras, as ideias
Uma das perspectiva de
pedagogia de projeto deveria ser a de integrar todas as linguagens que as
diferentes mídias permitem e realizar
uma grande conversa entre elas, que permitisse o acesso não apenas às máquinas,
que ficam reduzidas as discussões sobre a tecnologia mas sim às diversas formas
de expressão que cada uma delas possa despertar em professores e alunos.
Com uma câmera de vídeo
dentro da sala de aula, os alunos tendem
a repetir os modelos massificados que estão acostumados a ver nas telas
da televisão e em menor escala do cinema, pois foram alfabetizados desta forma.
Quanto mais se aperfeiçoam as técnicas, sobretudo as digitais, pode ser
reproduzido, repetido, repensado, refeito, ao infinito, sem que com isso se
perca o sentido primordial do ato de criar.Depende de como as escolas que
engendram a nova cultura aprenderem a superar as intransigências em relação a
tudo quanto é novo e inversamente,
perceber a realidade pelos meios não convencionais é o que mais intensamente
deveria ser buscado nas universidades e escolas.Isto é capacidade de invenção
em estado puro: cultivar o devaneio, anotar seus sonhos, escrever poesias,
criar imageticamente o roteiro de um filme que ainda vai ser filmado.
Talvez o grande desafio para
a educação na sociedade telemidiática seja o de estimular a expressão
entre a educação e as mídias, em
especial a televisão que consegue alcançar o maior número de pessoas e compõe
de igual maneira, o cotidiano de professores e alunos, supera a hierarquia
imposta pela escola e transforma todos os envolvidos no processo em
telespectadores dos mesmo programas.Aprender essa linguagem é um desafio para
todos, ultrapassando a ideia de aprender e ensinar que marca a educação.
A televisão expressa uma
linguagem pública, feita para uma massa de pessoas que conhece seus rudimentos
e adentrou o universo d linguagem audiovisual sem dominar os códigos da língua
escrita.A linguagem e alegoria, pode tocar olhos e ouvidos pois uma deriva da
outra.Isto é elemento fundamental para uma compreensão mais profunda da
linguagem audiovisual e da sociedade telemidiática.
Esta nova forma de estar no
mundo, está a desafiar professores, alunos, sistemas de ensino.Todos podem
aprender com a televisão, que aliada a outras técnicas, exige uma nova postura
educacional da sociedade.Sobre a televisão há uma divisão entre educar para e
educar com a mídia.Esta oposição, ilustra uma situação que sinaliza duas
possibilidades claramente estabelecidas de relações entre mídia e educação e
para efeito desta reflexão entre televisão e escola.Educar para a televisão
envolve ações que procuram formar telespectador criterioso, que possa escolher
com competência o que deseja ou não ver. Educar com a televisão abrange
atividades que lançam mão da linguagem televisiva para a apresentação e o
desenvolvimento de determinados assuntos ou conteúdos.
Há uma necessidade de criação de projetos que
procurem superar esse fosso existente entre o saber-fazer e o saber-usar, entre
a tradição e o novo.
Í importante compreender
primeiro que novo é apenas o aparato tecnológico, mas as historias contadas por
meio dele podem remeter a algo que vem de um tempo remoto, original. Assim a
educação que envolva a mídia precisa revelar o cerne da linguagem e dos
produtos dessa cultura audiovisual buscando aprofundar a compreensão da forma
de expressão televisiva, com maior ou menor sucesso, com literatura, por
exemplo.
A escola é ainda uma
instituição muito restrita a duas linguagens apenas: a oral e a escrita. Os
novos meios ao criarem as novas
linguagens propõem igualmente novas formas de estar no mundo e também na escola.
Um filme comercial do inicio
ao fim tem aproximadamente duas horas de projeção, mas existe a possibilidade
de compor sua grade com centenas de títulos de programas curtos que podem ser
utilizados por professores e alunos. Pode também realizar certos recortes que
permitam tornar visíveis os aspectos mais fundamentais de que trata o filme e o
assunto em discussão.
Estes pequenos fragmentos,
recortados de filmes e programas, permitem compreender com mais clareza e
refinamento a natureza da linguagem fílmica e televisiva.
Assim o audiovisual alcança
níveis da percepção humana que outros meios não e podem se constituir em fortes
elementos de criação de desejos e de conhecimento, superando os conteúdos e os
assuntos que os programas pretendem veicular e que nas escolas, professores e
alunos desejam receber, perceber e a partir deles criar os mecanismos de
expansão de suas próprias ideias.
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